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Artigo · 02 de setembro de 2026 · 7 min de leitura

Projeto RCN 67 garante ressarcimento a vítimas de fraudes com Pix

Saiba como a lei RCN 67 obriga bancos a devolver dinheiro em fraudes Pix, quem tem direito e que provas reunir para recuperar seu dinheiro.

Projeto RCN 67 garante ressarcimento a vítimas de fraudes com Pix

O que diz a proposta que garante ressarcimento em fraudes com Pix

O projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados (RCN 67) estabelece que os bancos devem devolver automaticamente o dinheiro transferido por Pix quando a transação for comprovadamente fraudulenta, sem exigir que a vítima aguarde uma investigação morosa ou pague multas por contestação. Hoje, se você transfere dinheiro por engano ou por golpe, o banco só devolve após investigação — o que pode levar semanas ou meses, dependendo da instituição financeira e da complexidade do caso. A lei proposta inverte a responsabilidade: o banco fica obrigado a comprovar que a transação era legítima ou ressarcir o consumidor em prazo curto (geralmente 15 a 30 dias), similar ao que já acontece com fraudes em cartão de crédito.

Outra mudança importante é que o ressarcimento passaria a ser obrigatório mesmo quando a transferência sai da conta da vítima — atualmente, muitos bancos exigem que o dinheiro ainda esteja na conta de quem recebeu para fazer a devolução. Se o golpista gastar o valor antes da vítima descobrir e avisar o banco, a recuperação fica muito mais difícil e lenta. Com a nova proposta, o banco assume o risco e a responsabilidade de tentar recuperar o dinheiro do destinatário ou ressarcir você diretamente.

Quem tem direito a pedir devolução do dinheiro pelo projeto

Qualquer pessoa física que transferir dinheiro por Pix achando que está pagando a uma loja legítima, a um amigo real ou a um serviço confiável — mas descobrir depois que foi enganada — pode pedir ressarcimento. Isso inclui golpes de falsa loja online, transferências forçadas por phishing, e até o cenário em que você recebe um link de WhatsApp que parece de um amigo ou família pedindo dinheiro urgentemente. O projeto não limita o valor da transferência nem o tipo de golpe, desde que você consiga comprovar que houve fraude — isto é, que foi enganado intencionalmente.

Exceções previstas no projeto incluem transferências feitas por quem caiu em golpe de senha (quando você mesmo digita e envia sem saber que foi manipulado) apenas se a instituição financeira não agiu diligentemente em avisos de segurança. Também não costuma entrar na categoria "fraude" quando o consumidor simplesmente se arrepende de uma compra legítima, diferente de quando a loja era falsa desde o início. A prova de fraude é o ponto crítico, e é por isso que reunir evidências desde o momento em que você percebe o golpe é essencial.

O que muda na prática com a lei RCN 67

Com a lei em vigor, o banco terá prazo máximo obrigatório para devolver (reduzindo a incerteza atual, em que a devolução fica a critério de cada instituição) e o ônus da prova muda: em vez de você provar que foi golpeado, o banco terá que provar que você autorizou conscientemente e não foi enganado. Isso coloca pressão real no sistema financeiro para melhorar os controles contra phishing e golpes de falsa loja. Além disso, abre a possibilidade de multas e processos se o banco não cumprir o prazo — algo que hoje praticamente não existe.

O que fazer imediatamente após cair num golpe Pix e reunir provas

Se você percebeu que transferiu dinheiro para um golpista, cada hora que passa reduz suas chances de recuperação. Siga estas ações na sequência correta, já reunindo o que servirá de prova para o pedido de ressarcimento:

  • Avise o banco nos primeiros minutos: pelo aplicativo, telefone ou agência, informando que realizou uma transferência fraudulenta. Quanto mais rápido o banco souber, maior a chance de bloquear a conta de destino antes do dinheiro ser retirado.
  • Tire prints de tudo: do anúncio na loja falsa, da conversa no WhatsApp ou email que levou você ao golpe, e do comprovante da transferência com data, horário e destinatário. Inclua a URL completa se o site for tirado do ar depois — o print vira a única prova de que ele existiu.
  • Peça ao banco a chave Pix usada: essa informação é crucial para rastrear a conta e ligar a fraude a uma pessoa ou empresa específica.
  • Registre boletim de ocorrência: na delegacia física ou pela delegacia virtual. Isso gera um número de protocolo necessário para pressionar o banco e, se preciso, processar o golpista.
  • Peça sempre comprovante escrito de cada contato com o banco (email, protocolo, print da conversa no app) — sem isso, fica difícil provar depois que você avisou cedo ou que o banco ignorou seu pedido.
  • Não transfira mais nada: se alguém pedir taxa, multa ou "código para reverter" a transação, é outro golpe. Bloqueie o contato e avise sua instituição financeira.

Para reforçar seu caso perante o banco, organize também: prints da página "sobre nós" ou contato do site fraudulento (CNPJ falso, endereço genérico ou ausência de informações legais reforça que era fraude planejada) e uma busca pela chave Pix ou URL em fóruns e grupos de consumidores que denunciam golpes — mostra que seu caso não é isolado.

Erros que reduzem suas chances de recuperar o dinheiro perdido

O erro mais grave é esperar muito tempo para avisar o banco — quanto mais dias passam, mais fácil para o golpista sacar ou transferir o dinheiro para outra conta, e o banco usa isso como justificativa para não conseguir recuperar. Avise em até 24 horas da descoberta, idealmente na hora.

Outro erro é transferir "taxa de reversão" ou "código de desbloqueio" que alguém oferece como solução — é golpe em cima de golpe, e o banco tende a ver isso como negligência sua, não como fraude contra você.

Por fim, evite desistir rápido. Muitos bancos negam a primeira solicitação como tática padrão. Se você tiver provas sólidas (print da loja falsa, BO, chave Pix rastreada), insista, procure a ouvidoria do banco ou o Banco Central se não houver resposta em 15 dias. Com a lei RCN 67 vigente, essa insistência passará a ter respaldo legal.

Como verificar se a loja ou pessoa que vai receber seu Pix é confiável antes de pagar

A melhor forma de não precisar de ressarcimento é não transferir o dinheiro para um fraudador em primeiro lugar. Antes de enviar Pix a uma loja, pessoa ou empresa desconhecida, verifique o domínio: ele é exatamente igual ao da loja oficial ou tem letras trocadas ou adições suspeitas? Um site falso costuma ter domínio semelhante mas não idêntico — por exemplo, "brazileshoes.com" em vez de "brasileirasshoes.com".

Procure o CNPJ da loja no site da Receita Federal (nfe.fazenda.gov.br) e veja se o nome, atividade e localidade batem com o que a loja diz. Se a loja não oferece CNPJ público ou o CNPJ não existe, é sinal de alerta. Também desconfie de preços 70% abaixo do mercado — é o chamariz clássico de golpe. Se o site parece profissional mas ainda levanta dúvidas, use uma ferramenta de verificação de confiabilidade de sites (como o AvaliarSite) para checar a idade do domínio, certificado de segurança, presença em listas de phishing e reputação geral — de forma gratuita e sem cadastro.

Desconfie de pedidos para pagar por Pix antes de receber qualquer confirmação — quanto mais "rápido e sem burocracia", maior a chance de ser golpe. Lojas legítimas oferecem boleto, cartão de crédito ou Pix acompanhado de nota fiscal e política de devolução clara.

Perguntas frequentes sobre a lei de ressarcimento e fraudes com Pix

O banco é obrigado a devolver o dinheiro mesmo que o golpista já tenha gasto?

Sim, segundo a proposta RCN 67. Se o golpista gastou o dinheiro antes do banco conseguir recuperar, o banco fica obrigado a ressarcir você até o limite da fraude. O banco assume o risco de não conseguir reaver o valor da conta receptora — é por isso que instituições financeiras estão investindo em detecção de fraude mais rápida.

O que muda no prazo de devolução com a nova lei?

Hoje o prazo varia muito, de 1 dia a 2 meses, conforme o banco. Com a lei RCN 67, esse prazo máximo passa a ser fixado (a proposta menciona 15 a 30 dias). Pergunte ao seu banco qual é o prazo específico dele e peça isso por escrito.

Se eu cair em golpe por WhatsApp/SMS (spoof), a lei também garante devolução?

Sim, se você conseguir provar que não autorizou conscientemente — isto é, que foi enganado por alguém fingindo ser outra pessoa. Print da conversa completa e o comprovante do Pix juntos formam um caso sólido para pedir ressarcimento com base na nova regra.

A lei RCN 67 muda quem tem que provar o golpe?

Sim, essa é a principal virada prática: hoje é a vítima quem precisa provar que foi enganada para o banco considerar a devolução. Com a lei, o ônus se inverte — o banco é quem precisa provar que a transação foi autorizada conscientemente para negar o ressarcimento.

Recebeu um link suspeito?

Cole aqui e veja a análise completa — idade do domínio, CNPJ, certificado e listas de ameaça, com a evidência de cada critério.

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