Como avaliamos um site
Um portal que classifica sites como perigosos precisa explicar como chega a isso. Esta página descreve o método inteiro — inclusive o que ele não consegue fazer.
O princípio
A análise é determinística: são regras escritas, testadas e aplicadas sempre da mesma forma. A mesma coleta produz sempre o mesmo resultado. Não usamos inteligência artificial para julgar sites, e isso é uma decisão de projeto, não uma limitação técnica — um veredito precisa ser reproduzível e auditável para poder ser contestado.
Cada critério registra três coisas junto com o resultado: o que foi encontrado, de qual fonte veio e quando foi coletado. É isso que aparece na página de cada domínio, e é o que permite a qualquer pessoa refazer a verificação por conta própria.
As cinco famílias de critérios
Registro e titularidade
Quando o domínio foi registrado, por quanto tempo está pago, quem é o titular e se há um CNPJ respondendo por ele. A idade do domínio é o sinal isolado mais preditivo que existe.
Infraestrutura
Certificado, servidores de e-mail, se o site força conexão segura, e se o certificado nasceu junto com o domínio. Loja sem servidor de e-mail não tem para onde o cliente reclamar.
Reputação
Presença em listas públicas de phishing e malware, e posição no ranking de sites mais referenciados da internet. Lista é reativa: só pega o golpe depois que alguém foi vítima.
Conteúdo da página
CNPJ e razão social no rodapé, canais de contato reais, meios de pagamento aceitos, política de troca, e recursos de pressão como contador regressivo e estoque que nunca acaba.
Ligações com outros sites
Se o domínio compartilha chave Pix, número de WhatsApp, conta de analytics ou pixel com outros que já classificamos como perigosos. É o critério que pega o golpe antes de qualquer lista.
Como o score é calculado
Cada critério tem um peso — baixo, médio, alto ou crítico — e devolve um resultado positivo, negativo ou neutro. O score é a soma ponderada, normalizada de 0 a 100.
A normalização considera apenas os critérios que conseguiram rodar. Isso importa: sites grandes costumam bloquear leitura automática, e se as verificações ausentes contassem como negativas, o portal rebaixaria justamente as lojas legítimas que se protegem contra robôs. Quando o número de verificações é pequeno, a página avisa — porque um score apoiado em cinco critérios não vale o mesmo que um apoiado em vinte.
Quando um sinal decide sozinho
Alguns sinais não se compensam. Um site que imita o nome de uma marca conhecida não fica bom por ter certificado válido e CNPJ no rodapé — pelo contrário: quanto melhor feito, mais perigoso. Nesses casos o veredito é Perigoso independentemente do total de pontos, e a página mostra qual foi o sinal.
Hoje três situações têm esse poder: imitação de marca conhecida, presença em lista verificada de ameaças, e compartilhar chave Pix, WhatsApp ou pixel de rastreamento com dois ou mais domínios já classificados como perigosos.
O que fazemos quando não dá para verificar
Um domínio que não pôde ser checado contra uma lista de ameaças não é um domínio limpo. Quando uma fonte está fora do ar, com cota esgotada, ou quando o site bloqueia leitura automática, o critério fica marcado como não checado e não pontua — nem a favor, nem contra. A página informa quantas verificações ficaram de fora e por quê.
É a diferença entre "verificamos e não encontramos problema" e "não conseguimos verificar". Tratar as duas como a mesma coisa transformaria o laudo num número inventado.
Os limites deste método
Regra só encontra o que foi previsto. Um golpe com um padrão novo passa pelo motor até que alguém perceba e escreva mais uma regra — e é por isso que a denúncia de quem foi vítima tem peso alto na análise: ela é o canal por onde entra o que as regras ainda não enxergam.
Também não temos como saber se uma loja vai entregar o produto. O que medimos é se existe uma empresa identificável por trás dela, há quanto tempo o endereço existe, e se o site apresenta os padrões que aparecem em fraudes conhecidas. Nenhum resultado aqui substitui a checagem que só você pode fazer: pesquisar o nome da empresa, procurar reclamações e preferir meios de pagamento que permitam contestação.
Você é responsável por um site avaliado?
Se discorda do resultado, pode contestar — a revisão é feita por uma pessoa e a justificativa fica registrada. Antes disso, vale conferir se o CNPJ, a razão social e os canais de contato estão visíveis no rodapé do site: a ausência deles é a causa mais comum de nota baixa em loja legítima, e corrigi-la melhora o resultado na próxima análise.